Já é tradição da Permacultura no mundo inteiro que se separe alguns dias de tantos em tantos anos para uma convergência dos seus ativistas, professores, apoiadores e simpatizantes. É uma ótima ocasião tanto para criar quanto fortalecer conexões como para reforçar uma visão de abundância, valores em comum, ética e trabalho duro.
Em 2020 o maior encontro mundial estará de volta a América do Sul, em sua 14° edição, só que desta vez terá como sede a Argentina. Em 2007 o Brasil foi palco da 8° Conferencia e Convergência Internacional de Permacultura.
Aproveitamos a ocasião para trazer-lhes aqui o Relatório Oficial da IPC8 Brasil 2007, assinado por Ali Sharif, há época a frente da Permacultura America Latina – PAL, instituição promotora do evento.
Relatório Oficial IPC8
Preparado por:
Permacultura America Latina (PAL)
723 Allendale St
Santa Fé. NM # 87505
Tel: 505 9891695
pal@permacultura.org
Julho de 2007, Santa Fé, Novo México
Permacultura é uma metodologia de design baseada em uma ética para a criação de sistemas e assentamentos sustentáveis. Foi desenvolvida inicialmente na Austrália pelo ecologista Bill Mollison no final dos anos setenta, mas desde então tem viajado pelo mundo e hoje existem projetos de todos os tamanhos acontecendo na maioria dos países do mundo.
A Convergência Internacional de Permacultura – IPC foi originalmente concebida como um fórum internacional para permitir que permacultores que trabalham em projetos em várias partes do mundo possam coletar e compartilhar informações e contatos. O IPC é realizado desde o início dos anos 80 na Austrália, Nova Zelândia, EUA, Nepal, Escandinávia, Croácia e Brasil.
Os IPC consistem em quatro eventos separados, que são:
- a) A Conferência (um fórum público);
- b) A Convergência (para permacultores praticantes);
- c) O Curso de Design de Permacultura (uma cortesia para o país anfitrião);
- d) Um Tour Permacultural.
Com o passar do tempo, esses quatro componentes se adaptaram e evoluíram para refletir o crescimento da permacultura como um movimento global de base. Hoje a Conferência é também um evento público internacional encabeçado por um tema pré-selecionado.
A atual 8ª Convergência de Permacultura foi realizada no Brasil e versões em áudio da Conferência em São Paulo estão disponíveis para download e podem ser ouvidas no site oficial: http://www.ipc8.org. Em breve haverá também um DVD da Conferência com legendas disponíveis para distribuição.
Todos os quatro eventos do IPC8 ocorreram entre 16 de maio e 8 de junho. Cerca de 570 participantes estiveram envolvidos em quarenta e dois países. Hotéis, aviões, ônibus, carros, táxis, barcos, canoas em quatro cidades em diferentes partes do país tinham que ser organizados e coordenados. Ninguém perdeu um avião ou se perdeu e apenas uma pessoa ficou doente por causa de uma alergia. A PAL gostaria de agradecer a todos os benfeitores que ajudaram a financiar e apoiar esta reunião de Permacultura e sentimos profundamente e sinceramente que tem sido um sucesso extraordinário, do qual o planeta ganhará significativamente nos próximos anos.
A 8ª Conferência Internacional de Permacultura – Uma Economia Verde
A 8ª Conferência Internacional de Permacultura foi realizada no 3º andar do Complexo da Bienal no Parque do Ibirapuera, no centro de São Paulo, entre os dias 16 e 18 de maio de 2007. O salão principal, com 5.000 m², exibiu uma infraestrutura de bambu excepcionalmente bem construída e instalada por permacultores especialistas em bambu. Uma horta mandala cobria parte do piso e cartazes de projetos de todo o mundo eram exibidos com destaque. Alimentos e bebidas foram servidos no local e delegados internacionais ficaram em um hotel próximo o que proporcionava boas caminhadas para o evento a cada dia.
A cidade de São Paulo foi escolhida para sediar o evento porque é o centro econômico da América Latina. Além disso, com seus 18 milhões de habitantes e as complexidades urbanas concomitantes, espelha muitas das questões que a Permacultura enfrenta com rapidez.
Economia Verde foi escolhida para ser o tema por causa da influência emergente do tópico e potencial estratégico. Como um prelúdio para a Conferência, a Rede Brasileira de Permacultura havia se engajado no diálogo e desenvolvido relacionamentos com bancos progressistas e entidades de negócios nos dois anos anteriores. Esta iniciativa criou a credibilidade e confiança na permacultura que finalmente abriu caminho para que alguns membros da comunidade financeira nacional pudessem falar na Conferência. Assim, para aqueles de nós que trabalham no movimento de Permacultura no Brasil, essa foi a nossa contribuição, agenda, apresentação e a tapeçaria de fundo para a Conferência.
O evento de três dias teve três subtemas: o primeiro dia começou com um discurso sobre o estado do mundo, a base ética para um futuro sustentável, o caso do Projeto de Permacultura e a experiência dos sistemas de Moeda Complementar. À tarde, foram apresentadas iniciativas urbanas de sucesso em quatro cidades do Norte e do Sul.
O segundo dia foi dedicado ao progresso em direção à sustentabilidade no mundo dos negócios e ao desenvolvimento do mercado de crédito de carbono, cada vez mais influente. À tarde, houve apresentações de várias formas alternativas de sistemas econômicos ganhando terreno em todo o mundo. No último dia, ouvimos falar de projetos e programas bem-sucedidos e visionários sendo implementados.
Todas as apresentações tiveram traduções simultâneas fornecidas através de fones de ouvido disponíveis. Isso enriqueceu o processo e aumentou imensamente as comunicações e interações com o público. Foi estabelecido um espaço destinado a entrega e devolução dos microfones e fones de ouvido que estavam sendo disponibilizados para o público, que aprendemos desde então, após a conferência, resultou em vários resultados interessantes.
No último dia, havia um público de 500 membros de 42 países do mundo de todos os continentes, incluindo banqueiros, empresários, economistas, tecnólogos, professores, fundações internacionais e diretores de projetos de permacultura de uma infinidade de ecossistemas planetários. Pode-se dizer que representantes de todas as peças do quebra-cabeça global estavam lá em uma sala e conversando entre si, com a permacultura desempenhando um papel proeminente.
Algumas apresentações muito profundas e extraordinárias foram feitas. O micologista Paul Stamets expressou um discurso brilhantemente inovador sobre como os cogumelos podem salvar o mundo, o público ficou deslumbrado. O carismático Tião Rocha, que está revigorando a educação popular no Brasil e reintroduzindo a chama do icônico pedagogo Paulo Freire para toda uma nova geração de brasileiros, levou todos a uma ovação de pé.
Nossos próprios permacultores, Robyn Francis e Brock Dolman, apresentaram eloquentemente a excelência do design de permacultura e das tecnologias de água como uma estratégia futura para o desenvolvimento sustentável. Os cubanos trouxeram as evidências do que foi necessário para possibilitar a transição para a agricultura orgânica quando foram atingidos pelo colapso soviético. O subsequente colapso do combustível fóssil durante o seu “Período Especial” nos anos noventa é um período pouco conhecido e revela uma resposta pública e governamental fascinante ao desastre.
O painel de Economia, moderado por Jim Gollin demonstrou o panorama de soluções econômicas alternativas e estratégias disponíveis para os municípios, cidades e vizinhanças de pensamento criativo. Carlos Louge, Donna Morton, Declan Kennedy e Scott Pittman, com a participação de um público espirituoso, apresentaram informações muito valiosas. Outros palestrantes como Tony Anderson, Caridad Cruz, falaram de estratégias de design junto a Programas de Cidades Sustentáveis para Copenhague, Havana, Winnipeg e na Alemanha.
Do mundo dos negócios convencionais, que ignoramos por nossa conta e risco, surgiram apresentações sobre as iniciativas que estão sendo tomadas em direção à sustentabilidade por parte dos executivos de empresas como o Banco Real e a Natura Cosméticos. Foi com interesse que aprendemos os relatos da íngreme curva de aprendizado que tais entidades estruturadas devem adotar para empreender iniciativas ecológicas.
Aerton Paiva com a sua mais alta energia, está a frente da Apel Consultancy, ele foi pioneiro na introdução de planejamento sistemático para resultados sustentáveis em suas consultorias de negócios. Ele falou de seu trabalho em inventar o software de computador para um índice de autoavaliação de sustentabilidade atrelado a vários sistemas internacionais. Sua oferta gratuita deste software às trinta maiores corporações do Brasil foi aceita e todas as trinta, incluindo a Petrobras e o Banco Itaú, instalaram e estão operando o sistema. Nos EUA, a contabilidade verde é realizada por auditores externos, mas este é o primeiro exemplo desse tipo de autoavaliação informatizada no mundo e é um primeiro passo crítico na responsabilidade e transparência corporativa.
O inestimável professor George Chan não pôde comparecer por motivo de doença, mas seu trabalho inovador com a Integrated Food & Waste Management Systems foi apresentado por seus alunos, Alexandre Takamatsu e Eric Fedus. Essa informação técnica altamente relevante e multifacetada para a produção intensiva de animais já foi implementada no Brasil, mas a evolução dos contatos com entidades corporativas voltará a envolver uma aplicação em maior escala.
Os africanos de Uganda, Quênia, Zimbábue, Moçambique, Zâmbia, Etiópia, Malawi e África do Sul trouxeram uma energia alegre e contagiante para o público com sua música e música. E Jeffrey Bronfman, um dos primeiros apoiadores institucionais da Permacultura no Brasil, falou tanto do papel vital da ética para o nosso futuro em sessão plenária no início da Conferência, assim como fechou a Conferência com um movimento de invocação espiritual.
Em suma, podemos dizer que, como organizadores e participantes da Conferência, destacamos com credibilidade a permacultura como uma base global emergente, com capacidade comprovada de transferência de informações em nível planetário. A praticidade da permacultura como uma metodologia sustentável para fins de desenvolvimento, ficou clara para vários setores como grandes bancos brasileiros, círculos de negócios, economistas do desenvolvimento, importantes agências brasileiras, o público paulista e outros atores internacionais.
Finalmente, a diversidade cultural e geografia, a força numérica, o grau de especialização, a longevidade e a experiência combinada da permacultura global foram organizadas em um fórum público internacional na América Latina.
Alguns dos resultados imediatos pós-conferência
- O presidente do Banco Real enviou um avião para buscar João Rockett, permacultor do IPEP no sul do Brasil, para revisar seu programa de produção de celulose baseado na comunidade. Eles também irão consultá-lo na elaboração de futuros programas comunitários.
- A Caixa Económica Federal solicitou um Curso de Design em Permacultura para trinta e cinco de seus funcionários.
- Planos foram feitos para estabelecer uma Escola Waldorf em Manaus na Amazônia e posterior aluguel de terras para iniciar o processo.
- Conexões feitas para consultorias em várias aplicações de crédito de carbono na Amazônia e Honduras.
- Dois jornais e duas entrevistas televisivas sobre permacultura foram realizadas.
Relatório da 8º Convergência Internacional sobre Permacultura
Cinco dias após a conclusão da Conferência Internacional em São Paulo, a Convergência foi realizada no Ecocentro IPEC em Pirenópolis, no estado de Goiás, no centro do Brasil. Pirenópolis é uma cidade colonial cheia de pedras e charme, cercada por cachoeiras e a apenas duas horas e meia de Brasília de carro. Encontra-se no ecossistema do Cerrado (savana), que é uma grande zona de transição entre a Amazônia e as Florestas Tropicais do Atlântico.
Dos quatro centros de demonstração de permacultura abrangentes no Brasil, o IPEC foi estabelecido em segundo, após o de Manaus na Amazônia. É considerado um local de demonstração em nível mundial de técnicas e tecnologias naturais de construção e é responsável por treinar estudantes de todo o país durante o ano todo.
Os 150 designers em permacultura de 42 países de todos os continentes participaram do encontro entre os dias 25 e 28 de maio. Todos foram alojados e alimentados no local com alimentos orgânicos excepcionais e água potável coletada na chuva. Grande parte da eletricidade era renovável e todo o esgoto e outros resíduos eram biologicamente reciclados.
Quatro diferentes locais nas instalações do Ecocentro serviram como espaços de apresentação, nas quais os projetores permitiam mostra de slides. A plenária principal foi no Auditório do Centro Bill Mollison, que é uma grande estrutura abobadada, também conhecida como o Panteão de Roma. Houve um número impressionante de jovens reunidos, bem como alguns veneráveis cabeças brancas, que agora representam entre 20 e 25 anos de experiência. As reuniões da Convergência são únicas em permitir uma interação tão importante entre gerações. A gama de experiências e habilidades reunidas no local abrangia todos os grupos climáticos e inúmeros ecossistemas e condições planetárias.
Contrariando uma tendência previamente estabelecida de focar em questões do primeiro mundo, a presença de tantos delegados da América Latina, África e Ásia criou uma estrutura rica e diversificada para discussões e tomada de decisões. Essa diversidade é a riqueza e a abundância do movimento de permacultura e, como em qualquer diversidade, há informações que podem ser uma estratégia para salvar vidas em outros lugares.
Os delegados dos oito países africanos – Uganda, Quênia, Zimbábue, Moçambique, Etiópia, Zâmbia, Malawi e África do Sul – foram tirados da geladeira, depois de terem perdido as últimas Convergências. Vários desses delegados foram os primeiros alunos de Bill Mollison quando das primeiras visitas à África vinte anos antes.
As informações que trouxeram de sobrevivência e excelência na renovação sob as mais difíceis circunstâncias foi totalmente inspiradora. Diante do genocídio, das guerras civis, das doenças, da epidemia, da interferência cultural, da pobreza e da fome, eles criaram estratégias e sistemas que prevaleceram e prosperaram. E é de homens e mulheres tão humildes e dignos que nos orgulhamos e buscamos a inovação. Muito dos seus trabalhos e, em particular, o Modelo Scope podem ser facilmente aplicados na América Latina.
Da Europa ouvimos falar do programa de concessão de graus alternativos de Gaia, o trabalho dos grupos dos Balcãs da Checoslováquia e da Croácia e o desenvolvimento das Convergências Europeias. Tony Anderson da Dinamarca explicou nas origens da permacultura, fórmulas práticas específicas para combater o aquecimento global, como a estratégia de se plantar 100.000 árvores por pessoa. Foi encorajador ver os britânicos com a Suzy High assumindo um programa global mais amplo. A Stella Strega da Espanha consistentemente abriu mais e mais a porta para o mundo dos sistemas caórdicos e a possibilidade de evoluir da confusão da atual gestão organizacional e crescimento.
Da Ásia, foi maravilhoso ouvir sobre o trabalho de Narsana Koppula que, como estudante do Dr. Vankhet, trabalhou ao lado de inúmeros grupos de mulheres em programas de reflorestamento. Prem Thapa continua diligentemente seu trabalho comunitário mesmo em situações políticas difíceis. E finalmente, alguns trabalhos de Rosemary Morrow no sudeste da Ásia foram revelados e Mouy Mann, do Camboja, eloquentemente descreveu as consequências da guerra civil e da reconstrução.
Os latino-americanos eram os mais animados e barulhentos como sempre. Os cubanos eram as estrelas e trouxeram a história da transição da ilha para a agricultura orgânica e a autoconfiança dos combustíveis fósseis em face do desastre total. Esta foi uma situação de laboratório que todos nós faríamos bem para aprender. Os Mesoamericanos fizeram grandes avanços e Ronaldo Lec e Juan Rojas continuam a igualar a violência ecológica e política de sua região com a excelência de seu trabalho. Seu programa de sementes está dando uma contribuição a recuperação genética, a que foi perdida pelos maias para a cultura mundial e unindo as aspirações indígenas do istmo centro-americano por trás desse empreendimento.
Jefferson Mecham e Valentina Benavides têm trabalhado heroicamente em comunidades andinas empobrecidas continuamente por 18 anos e seu trabalho está produzindo jovens líderes indígenas, protegendo a remanescente floresta nublada e tecendo os fios de uma rede de economia de sementes. Os argentinos estabeleceram uma tradição de permacultura com centros em evolução e os patagônios foram bem representados com cinco delegados.
A apresentação de Limber Cabrera da Red Pal Peru mostrou que os sistemas de aquacultura de Shipibo ainda estavam no caminho e se desenvolvendo como exemplos eficientes, produtivos e culturalmente sustentáveis de trabalho de desenvolvimento que podem ser replicados em toda a Amazônia. Devemos lembrar que esses sistemas fornecem a base para a segurança de proteínas para grupos indígenas privados do acesso tradicional a terras ancestrais, apesar de sua elegância natural e incorporação do conhecimento tradicional.
As sessões plenárias finais determinaram o próximo IPC 9, a ser realizado na África e os eventos serão hospedados pela África do Sul, Malawi e Zimbábue em 2009 . Uma organização de apoio foi formada para este propósito e Wes Rowe estará guiando este processo.
Os latino-americanos estabeleceram novembro de 2008 como a convergência biorregional em Havana e os mesoamericanos se reunirão em novembro de 2007 na Guatemala.
Relatório do Curso de Design de Permacultura
O Curso de Design em Permacultura aconteceu entre 3 e 14 de maio no bairro Grajaú, em São Paulo, na sede do projeto da organização sem fins lucrativos Instituto Anchieta Grajaú. Como é habitual, foi ensinado gratuitamente por dois proeminentes professores Tony Anderson da Dinamarca e Brock Dolman dos EUA, e foi financiado por Permacultura America Latina – PAL e pela Fundação Avina.
Havia mais de setenta alunos oriundo de doze países, os brasileiros vieram de todo o país, além de vários bairros e favelas. Vários dos participantes eram estudantes de arquitetura e engenharia nas universidades de São Paulo.
O dormitório que abrigava os estudantes foi construído especificamente para o curso e foi concluído apenas um dia antes de começar. O projeto do prédio refletia a necessidade de proteger os habitantes e havia guardas de plantão todas as noites.
O Instituto Anchieta coordena o programa social e educacional dentro e em nome do bairro Grajau. Além disso, eles alimentam quatrocentas crianças diariamente como parte de um programa nutricional. O bairro Grajau tem grandes e violentas favelas e, portanto, o PDC foi um assunto de primeira linha, lidando com questões sociais aparentemente intratáveis a exemplo de drogas, pobreza e marginalização urbana.
Desde o primeiro dia, o objetivo do curso era claramente o design de 20 hectares de terra pertencentes ao Instituto Anchieta. Isso estava de acordo com os objetivos dos financiadores (PAL e Fundação Avina), que apoiam cursos prevendo que estes que levem a uma iniciativa subsequente que reflita na sustentabilidade dos beneficiados. A terra em questão já havia pertencido a investidores que foram frustrados em seus esquemas de construção quando as favelas da região a invadiram e ocuparam. Essa ação foi violentamente reprimida pela polícia e os barracos construídos foram arrasados e demolidos.
Num impasse, os empreendedores doaram o terreno para o Instituto Anchieta e, desde então, ele foi respeitado principalmente devido à boa vontade gerada pela presença física do projeto, pela gestão local e por seus programas sociais. No entanto, há um entendimento implícito de que em algum momento a terra será organizada para beneficiar a comunidade. Difícil será dizer que vinte hectares desocupados no meio de uma megalópole urbana como São Paulo representam uma notável oportunidade de permacultura.
No dia da formatura, os desenhos finais do curso eram numerosos e muito impressionantes, e muitas ideias e conceitos interessantes foram apresentados. Estes projetos estão sendo cuidadosamente tratados. Como resultado do curso, um pequeno projeto de jardinagem produtiva envolvendo as crianças da comunidade como foco principal será iniciado este ano como uma primeira fase. A segunda fase será a de introduzir e encorajar os pais que vivem nas favelas vizinhas a começar a jardinagem produtiva em pequenas parcelas organizadas na parcela de 20 hectares.
Eventualmente, o plano é vincular essas atividades de jardinagem produtiva a outras áreas abertas em São Paulo, onde pequenas iniciativas de horticultura foram iniciadas por permacultores formados em de cursos anteriores. Como uma rede de jardineiros orgânicos com uma capacidade de produção significativa, portas podem ser abertas para o diálogo com autoridades municipais e fundações cívicas interessadas sob o disfarce de produção de alimentos urbanos.
Tanto PAL como a Fundação Avina gostariam de agradecer ao Instituto Anchieta e aos professores do Curso, Tony Anderson e Brock Dolman, pelo trabalho bem feito.
O Tour Permacultural
Amazônia – Salvador / Bahia
Seguindo diretamente após a Convergência, um grupo de 45 pessoas viajou a Manaus para visitar o Centro de Demonstração do Instituto de Permacultura da Amazônia – IPA, criado em 1997. O IPA desenvolveu vários sistemas inovadores de produção animal e uma incubadora de peixes. O seu sistema de aquicultura e as florestas alimentares cobrem uma parcela de dez hectares que tinha sido previamente destruída por químicos e maquinaria pesada. O projeto está localizado no local da entrada original da revolução verde na Amazônia central no final dos anos 50.
Um barco de três andares tinha foi alugado e navegou pelo Rio Amazonas e se transformou em seu afluente Rio Paraná do Ramos e depois no menor Rio Urubu e depois de uma viagem de 36 horas chegamos ao Centro de Extensão em Permacultura na Boa Visto do Ramos. O trabalho aqui está sendo feito com cinco comunidades e preparativos estão sendo feitos para expandir este programa para incluir mais 11 comunidades.
Os quatro dias que passamos aqui percorrendo os projetos e a viagem de volta de dois dias a Manaus foram um período sem celular nem internet. A permacultura é, em essência, uma agência informal de ajuda do mundo ligada por um rolo de conexões e foi durante esse período que um espaço foi criado para reuniões intensivas e sessões de planejamento e um aprofundamento de amizades e vínculos de trabalho.
A segunda parte do Tour aconteceu em Salvador, na Bahia, na costa atlântica do Brasil, onde a Organização Permacultura e Arte – OPA tem sua base. O grupo passou três dias no programa de extensão comunitária da OPA e participou de atividades do projeto com as crianças da comunidade.
Escrito por Ali Sharif.